Conferência aborda “serialismo”
Conferência sobre a “Escola de Darmstad” no Zaqueu de Melo é aberta ao público
por Ascom 29º FML / Alea - Doc
 
Irna Priori / foto Devanir Parra
A musicista Irna Priori, dos Estados Unidos, faz conferência sobre a Escola de Darmstad na quinta-feira(16), às 18 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, aberta ao público. Ela fala sobre a criação desta escola e a sua importância na influência de compositores do mundo todo.

“Esta palestra visa oferecer uma perspectiva revisonista dos cursos de Darmstadt e ressaltar a importância que esses cursos tiveram não só para a Alemanha, mas também para o mundo, inclusive o Brasil”.

Em 1946, o musicólogo Wolfgang Steineck criou a Escola Internacional de Viena, em Darmstadt, onde eram oferecidos cursos de férias, com o objetivo de promover a nova música. O nome “Escola de Darmstadt” foi atribuído pelo compositor Luigi Nono, em 1959.

“Os cursos foram concebidos inicialmente como um esforço na reconstrução da Alemanha em conseqüência do pós-guerra. O governo alemão passou a tomar medidas e implementar programas para erguer um país forte e transformado. Por isso, ele implementou primeiramente programas culturais. O lema era: cultura primeiro, depois as necessidades básicas”, afirma Priore.

O regime nazista havia arrasado, também, com uma parte da cultura musical da Alemanha ao banir as obras da 2ª Escola de Viena. Um de seus principais integrantes, Arnold Schoenberg tinha iniciado o serialismo. Na Escola Darmstad os professores iniciaram a retomada da cultura alemã estudando este método.

O serialismo ou nova música começa novamente a ser difundido e não apenas na Alemanha, mas no mundo. Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005), veio para o Brasil refugiado da guerra e influenciou toda uma geração de compositores ensinando o serialismo. Entre eles: Edino Krieger, Djalma Corrêa, Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Mendes, Clara Sverner, Roberto Sion, José Miguel Wisnik, Diogo Pacheco, Isaac Karabtchevsky, José Roberto Branco - Maestro Branco, Júlio Medaglia e Marlos Nobre, homenageado do Festival Música deste ano.

Segundo Priore, o movimento da Escola de Darmstadt foi pouco compreendido no mundo. “Agora que temos um distanciamento histórico que permite uma melhor reflexão”, afirma.



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